Trajado de brim azul ou roupas de cangaceiros, chapéu de couro (ao modelo cangaceiro) ou de palha tradicional, lenço vermelho aos ombros, portando seu bacamarte na mão, vai o bacamarteiro da tiros para saudar cangaceiros e heróis da Guerra do Paraguai.
O protetor dos bacamarteiros é São Pedro.
Os grupos de bacamarteiros são formados por agricultores, artesãos, pequenos comerciantes e artistas independentes.
A mulheres também participam de alguns grupos de bacamartes.
O folguedo consiste em uma apresentação cênico-performática de um grupo de 15 a 20 pessoas que - vestidos com calça e camisa de zuarte, lenço vermelho no pescoço, chapéu de palha ou couro adornado com uma rosa vermelha, alpercatas ou tênis, bisaco com munição e seu bacamarte - desfilam e fazem suas apresentações nas ruas, avenidas ou mesmo na zona rural da cidade, dando salvas de tiros em homenagem aos santos católicos reverenciados no mês de junho na região: Santo Antônio, São João e São Pedro. A tradição se perpetua há aproximadamente cento e cinquenta anos.
Quanto às origens, a versão mais difundida refere-se ao surgimento desses grupos após a Guerra do Paraguai (1865). O folguedo foi criado por pessoas da zona rural que, ao buscar homenagear a valentia do homem nordestino, acabaram por agregar diversos elementos culturais provenientes dos mitos da região.
Há várias versões que tentam explicar a origem dos grupos de bacamarteiros:
alguns pesquisadores afirmam que a tradição teria surgido após a Guerra do Paraguai(1865). A citada guerra foi o maior conflito armado ocorrido na América do Sul, travada entre o Paraguai e Brasil, Argentina e Uruguai e durou de 1864 a 1870, sendo o Paraguai derrotado pela tríplice aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) o que pôs fim ao conflito. Outros defendem que o uso do bacamarte, especificamente no estado, deu-se para saudar os santos juninos e teve início com a invasão holandesa em Pernambuco no século XVII. Tal versão é relacionada ao inventário das armas deixadas pelos combatentes que faz referência a “bacamarte de metal de ferro”, estes que teriam chegado às mãos dos “matutos”.
Bacamarte é uma arma de fogo de cano curto e largo, reforçada na coronha. Há controvérsias sobre sua origem e não se sabe com exatidão se é originalmente brasileira, tampouco como chegou à nossa região. O que sabemos é que ela foi modificada e se adaptou ao uso dos folgazões; antes era usada com o chumbo, mas atualmente é usada a pólvora, que produz mais barulho e fumaça.
O bacamarte, do francês braquemart é a arma, o instrumento que dá nome a manifestação cultural; é uma arma de fogo de cano curto e largo, reforçada na coronha, definição dada no dicionário Michaellis. Embora obsoleta para o uso militar, tem uma importância ímpar para os folgazões do agreste. Segundo o pesquisador Olímpio Bonald Neto (2004), “Bacamarte boca-de-sino, reiuna –reúna, riuna, granadeira ou simplesmente bacamarte são termos profundamente arraigados ao vocabulário regional do Nordeste”, justificando assim a popularização da arma no Nordeste brasileiro, citada em obras de escritores como Euclides da Cunha em “Os Sertões” (1902), e Mário Sette em “A filha de Dona Sinhá” (1923).
Alguns historiadores defendem a ideia de que o bacamarte é originário do clavinote holandês do século XVII ou da granadeira do sistema Miniée francês, de meados do século XIX. Porém, a granadeira ou riúna que serviram na Guerra do Paraguai em 1865, sofreram 25 mutilações que as adaptaram ao uso dos folgazões, assim como o tipo de munição foi modificado.
Existe atualmente em Caruaru cerca de 150 bacamarteiros divididos em 8 batalhões e registrados pela associação que os representa. A Associação dos Bacamarteiros de Caruaru foi criada em 2002.
A lei municipal nº 2.536 de 21 de maio de 1979 institui o Dia do Bacamarteiro no último domingo do mês de junho de cada ano, na administração do então Prefeito Drayton Nejaim. Não obstante, a lei nº 3.926 de 05 de julho de 1999, apresentada na administração do Prefeito João Lyra Neto, dá nova redação ao artigo 1º que passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º - Fica criado, em Caruaru, o Dia do Bacamarteiro Antônio José do Nascimento, que será comemorado no dia 24 de junho de cada ano, concomitantemente com o Dia de São João.