Bacamarteiros - Uma tradição secular
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: segunda, 12 de junho de 2023

Trajado de brim azul ou roupas de cangaceiros, chapéu de couro (ao modelo cangaceiro) ou de palha tradicional, lenço vermelho aos ombros, portando seu bacamarte na mão, vai o bacamarteiro da tiros para saudar cangaceiros e heróis da Guerra do Paraguai.

 

 

O protetor dos bacamarteiros é São Pedro.

Os grupos de bacamarteiros são formados  por agricultores, artesãos, pequenos comerciantes e artistas independentes.

A mulheres também participam de alguns grupos de bacamartes.

O folguedo consiste em uma apresentação cênico-performática de um grupo de 15 a 20 pessoas que - vestidos com calça e camisa de zuarte, lenço vermelho no pescoço, chapéu de palha ou couro adornado com uma rosa vermelha, alpercatas ou tênis, bisaco com munição e seu bacamarte - desfilam e fazem suas apresentações nas ruas, avenidas ou mesmo na zona rural da cidade, dando salvas de tiros em homenagem aos santos católicos reverenciados no mês de junho na região: Santo Antônio, São João e São Pedro. A tradição se perpetua há aproximadamente cento e cinquenta anos.

 

Quanto às origens, a versão mais difundida refere-se ao surgimento desses grupos após a Guerra do Paraguai (1865). O folguedo foi criado por pessoas da zona rural que, ao buscar homenagear a valentia do homem nordestino, acabaram por agregar diversos elementos culturais provenientes dos mitos da região.

 

Há várias versões que tentam explicar a origem dos grupos de bacamarteiros:

 

alguns pesquisadores afirmam que a tradição teria surgido após a Guerra do Paraguai(1865). A citada guerra foi o maior conflito armado ocorrido na América do Sul, travada entre o Paraguai e Brasil, Argentina e Uruguai e durou de 1864 a 1870, sendo o Paraguai derrotado pela tríplice aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) o que pôs fim ao conflito. Outros defendem que o uso do bacamarte, especificamente no estado,  deu-se para saudar os santos juninos e teve início com a invasão holandesa em Pernambuco no século XVII. Tal versão é relacionada ao inventário das armas deixadas pelos combatentes que faz referência a “bacamarte de metal de ferro”, estes que teriam chegado às mãos dos “matutos”.

 

Bacamarte é uma arma de fogo de cano curto e largo, reforçada na coronha. Há controvérsias sobre sua origem e não se sabe com exatidão se é originalmente brasileira, tampouco como chegou à nossa região. O que sabemos é que ela foi modificada e se adaptou ao uso dos folgazões; antes era usada com o chumbo, mas atualmente é usada a pólvora, que produz mais barulho e fumaça.

 

O bacamarte, do francês braquemart é a arma, o instrumento que dá nome a manifestação cultural; é uma arma de fogo de cano curto e largo, reforçada na coronha, definição dada no dicionário Michaellis. Embora obsoleta para o uso militar, tem uma importância ímpar para os folgazões do agreste. Segundo o pesquisador Olímpio Bonald Neto (2004), “Bacamarte boca-de-sino, reiuna –reúna, riuna, granadeira ou simplesmente bacamarte são termos profundamente arraigados ao vocabulário regional do Nordeste”, justificando assim a popularização da arma no Nordeste brasileiro, citada em obras de escritores como Euclides da Cunha em “Os Sertões” (1902), e Mário Sette em “A filha de Dona Sinhá” (1923).

 

Alguns historiadores defendem a ideia de que o bacamarte é originário do clavinote holandês do século XVII ou da granadeira do sistema Miniée francês, de meados do século XIX. Porém, a granadeira ou riúna que serviram na Guerra do Paraguai em 1865, sofreram 25 mutilações que as adaptaram ao uso dos folgazões, assim como o tipo de munição foi modificado.

 

Existe atualmente em Caruaru cerca de 150 bacamarteiros divididos em 8 batalhões e registrados pela associação que os representa. A Associação dos Bacamarteiros de Caruaru foi criada em 2002.

 

A lei municipal nº 2.536 de 21 de maio de 1979 institui o Dia do Bacamarteiro no último domingo do mês de junho de cada ano, na administração do então Prefeito Drayton Nejaim. Não obstante, a lei nº 3.926 de 05 de julho de 1999, apresentada na administração do Prefeito João Lyra Neto, dá nova redação ao artigo 1º que passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º - Fica criado, em Caruaru, o Dia do Bacamarteiro Antônio José do Nascimento, que será comemorado no dia 24 de junho de cada ano, concomitantemente com o Dia de São João.


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