Pesquisa Observatório Febraban mostra que 51% da população tem receio de perdas no campo profissional com a IA e 36% avaliam que a regulamentação atual é frouxa demais enquanto 34% consideram que ela está na medida certa
A maioria da população brasileira (92%) já ouviu falar de Inteligência Artificial e 60% avaliam que têm informações sobre o tema. Neste cenário, a visão dos brasileiros sobre IA é marcada por ambivalência, com sentimentos diversos: o sentimento mais citado é a combinação de entusiasmo e preocupação (30%), seguido da preocupação isolada (29%) e do entusiasmo isolado (25%).
Essa divisão de perspectivas também se expressa na expectativa que a nova tecnologia vai trazer para o país. Para 35% a IA trará tanto benefícios quanto prejuízos para a sociedade brasileira, enquanto parcela semelhante (34%) aposta que os benefícios superarão os prejuízos, ante 17% que acreditam no oposto (mais prejuízos que benefícios).
Esse quadro inédito da visão da sociedade brasileira sobre a IA é revelado pela 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo Ipespe, entre os dias 9 a 20 de junho de 2026, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País. Nesta edição, o levantamento apresenta um panorama abrangente sobre o grau de conhecimento e familiaridade dos brasileiros com IA, seus padrões de uso, níveis de confiança e expectativas quanto aos impactos econômicos e sociais. A pesquisa também aborda as preocupações com riscos, direitos digitais e o uso da IA no trabalho, na educação e nos serviços financeiros.
A grande maioria (84%) dos brasileiros mostram que estão preocupados com golpes, fraudes e crimes digitais com IA, seguidos por vídeos e áudios falsos influenciando as eleições, com 77%. O impacto ambiental dos data centers também aparece como preocupação relevante, embora em patamar menor, com 58%.
Os resultados mostram uma opinião pública dividida, com leve predominância da demanda por regras mais fortes. Enquanto 36% avaliam que as regras atuais de IA no Brasil são frouxas demais, 34% consideram que estão na medida certa. Apenas 12% acham que são rígidas demais e 5% dizem que não deveria haver regras específicas.
“Esse cenário é compatível com o estágio atual do debate no país: o Brasil ainda discute um marco legal específico para IA, e órgãos como a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) vêm testando instrumentos regulatórios voltados à IA e à proteção de dados”, ressalta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.
A íntegra do 19º levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-IPESPE, que também possui um recorte regionais, pode ser acessada neste link
Abaixo, seguem outros resultados do levantamento:
FAMILIARIDADE E CONHECIMENTO DE IA
A expressão “inteligência artificial” já faz parte do repertório dos brasileiros
92% dos entrevistados afirmam ter ouvido falar sobre “inteligência artificial” ou “IA”. Tal nível de familiaridade indica que o tema já circula nas conversas cotidianas e deixou de ser um assunto restrito a especialistas. Por outro lado, a compreensão sobre IA segue marcada por diferentes graus de informação, acesso e aprofundamento. Enquanto 60% dos respondentes se declaram informados sobre o assunto (sendo 26% muito informados e 34% informados), 40% dizem-se pouco (33%) ou nada informados (7%).
O conhecimento de ferramentas concretas ainda é limitado
Apesar da alta familiaridade com a expressão “inteligência artificial” e da autopercepção favorável do nível de informação, apenas 35% afirmam conhecer bem ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot, Claude ou similares. Outros 45% conhecem essas ferramentas mais ou menos ou apenas de ouvir falar, e 20% dizem não as conhecer. Trata-se, portanto, de um contingente de 65% ainda sem uma relação consistente ou sem acesso a ferramentas de IA generativa.
Cerca de sete em cada dez entrevistados (69%) acreditam já ter tido contato com IA em serviços como atendimento automático, recomendações de conteúdo, reconhecimento facial, aplicativos diversos, bancos ou compras online.
Já a capacidade percebida de identificar conteúdos produzidos por IA é mais limitada: apenas 34% acreditam reconhecer sempre ou quase sempre, 39% só às vezes e 24% raramente ou nunca.
USOS E APLICAÇÕES
SENTIMENTOS E PREOCUPAÇÕES
A visão dos brasileiros sobre IA é marcada por ambivalência.
O sentimento mais citado é a combinação de entusiasmo e preocupação (30%), seguido da preocupação isolada (29%) e do entusiasmo isolado (25%).
As principais preocupações com o uso da IA concentram-se em riscos de segurança e desinformação política
Golpes, fraudes e crimes digitais com IA lideram, considerados muito preocupantes ou preocupantes por 84% dos entrevistados, seguidos por vídeos e áudios falsos influenciando as eleições, com 77%. O impacto ambiental dos data centers também aparece como preocupação relevante, embora em patamar menor, com 58%.
PERCEPÇÃO DE IMPACTO
ÉTICA, REGULAÇÃO E MARCO LEGAL
Os resultados mostram uma opinião pública dividida, com leve predominância da demanda por regras mais fortes.
Enquanto 36% avaliam que as regras atuais de IA no Brasil são frouxas demais, 34% consideram que estão na medida certa. Apenas 12% acham que são rígidas demais e 5% dizem que não deveria haver regras específicas.
Para pouco mais de um terço (35%), a maior responsabilidade por garantir um uso seguro e ético da tecnologia cabe ao Governo Federal e aos órgãos reguladores.
Esse papel fiscalizador sobrepõe-se à própria formulação de leis específicas pelo Congresso Nacional, que atrai 11% das menções. Por outro lado, a corresponsabilização do setor privado (19%) empata rigorosamente com a visão de que a responsabilidade deve ser compartilhada entre todos os atores da sociedade (19%). A academia e entidades de defesa do consumidor são mencionadas de forma secundária (4% cada).
O Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil ainda é um tema distante do cotidiano da maior parte da população.
Apenas 23% declaram saber do que se trata, frente a 24% que ouviram falar, mas sem detalhes e 50% que não ouviram falar.
Sobre o IPESPE
O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), fundado em 1986, é uma das instituições mais respeitadas do Brasil no setor de pesquisas de mercado e opinião pública. E conta com um conselho científico formado por especialistas de diversas áreas, o qual é presidido por Antonio Lavareda, mestre em sociologia e doutor em ciência política. Tem equipes operacionais e consultores em todos os estados do País e atuação em âmbito nacional e internacional, sempre atualizado com o que há de mais inovador em técnicas e sistemas de pesquisas. A experiência, o rigor técnico e a agilidade do IPESPE têm se transformado em ferramentas fundamentais para que empresas privadas, governos e organizações possam conhecer melhor o seu público e o mercado.
Sobre o OBSERVATÓRIO Febraban
O Observatório Febraban – Pesquisa Febraban IPESPE foi lançado em junho de 2020 com objetivo de se tornar uma fonte de informações sobre as perspectivas da sociedade e o potencial impacto econômico-financeiro, ouvindo a população e estimulando o debate em diversos setores. Com periodicidade trimestral, a iniciativa é parte de uma série de medidas da Febraban para ampliar a aproximação dos bancos com a população e a economia real, de forma cada vez mais transparente.