Levantamento inédito da ABEFIN mostra que dificuldades financeiras estão entre os principais fatores associados ao adoecimento emocional dos brasileiros
A região Nordeste concentra um dos maiores índices de ansiedade do Brasil e apresenta um cenário que reforça a conexão entre saúde financeira e saúde mental. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, que investigou como as dificuldades financeiras influenciam o desenvolvimento de transtornos psicológicos.
O estudo ouviu 1.000 brasileiros previamente diagnosticados por profissionais de saúde com ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. As entrevistas foram conduzidas presencialmente por psicólogos especializados em pesquisas qualitativas e no atendimento de pessoas com transtornos mentais.
A região Nordeste representou 26,9% da amostra nacional e apresentou indicadores que evidenciam os desafios enfrentados pela população em relação à saúde emocional. Entre os principais resultados observados na região:
Embora o Nordeste tenha registrado o menor percentual de entrevistados que identificam as finanças como principal gatilho do adoecimento, os números mostram que a questão financeira continua desempenhando papel relevante na saúde emocional da população.
No levantamento nacional, as dificuldades financeiras aparecem como o principal fator associado ao desenvolvimento dos transtornos mentais, superando questões relacionadas ao trabalho, aos relacionamentos, às doenças e ao luto.
Quando questionados sobre o grau de influência das finanças em seu adoecimento emocional:
Na prática, quase 60% dos entrevistados atribuem, de forma exclusiva ou predominante, seu adoecimento mental às dificuldades financeiras.
O estudo também revela um cenário de vulnerabilidade econômica que ajuda a compreender essa relação. Entre os participantes da pesquisa:
Segundo Reinaldo Domingos, PhD em Educação do Comportamento Financeiro, presidente da ABEFIN e fundador da DSOP Educação Financeira, os resultados demonstram que a saúde financeira precisa ser incorporada às discussões sobre prevenção e tratamento dos transtornos mentais.
"A pesquisa mostra que as dificuldades financeiras exercem um impacto profundo sobre o equilíbrio emocional das pessoas. Quando existe insegurança em relação ao pagamento de contas, ao futuro da família ou à manutenção da própria renda, cria-se um ambiente permanente de preocupação e estresse. Isso afeta diretamente a saúde mental e reforça a necessidade de olhar para a educação financeira como uma ferramenta de promoção da qualidade de vida", afirma.
Os impactos das dificuldades financeiras também se refletem em diversas áreas da vida dos entrevistados:
Para Raimundo Caldas, presidente estadual da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Pernambuco, os resultados reforçam a importância de ampliar o debate sobre educação financeira e saúde emocional na região.
"Cuidar da saúde financeira é condição fundamental para que exista tranquilidade emocional e para que possamos dedicar tempo e recursos às demais demandas da vida. O dinheiro funciona como um combustível que viabiliza o cuidado com aquilo que realmente importa. A gente sabe que ele não é a coisa mais importante da vida, mas facilita e torna possível cuidar da família, investir na saúde, na alimentação, no bem-estar e também ter mais tempo para estar perto de quem a gente ama. Imagine poder cuidar dos filhos com mais tranquilidade, investir na própria saúde emocional e física e viver com mais equilíbrio. A ansiedade e o adoecimento mental são resultado de diversos fatores, e os desajustes financeiros, como mostra a pesquisa, estão entre os principais. Por isso, falar de educação financeira também é falar de qualidade de vida para as famílias nordestinas", afirma Caldas.
Outro dado que chama atenção é a percepção sobre o futuro. Enquanto 35,9% dos entrevistados acreditam que sua saúde mental pode melhorar nos próximos anos, apenas 20% estão otimistas em relação à própria situação financeira. Já 67,2% demonstram pessimismo ou muito pessimismo quando pensam no futuro das suas finanças.
Apesar da forte relação identificada entre dinheiro e saúde mental, quase metade dos participantes (48,5%) nunca procurou orientação de um educador financeiro. Apenas 13,1% afirmaram ter recebido efetivamente algum tipo de apoio especializado.
Para os especialistas envolvidos no estudo, os resultados apontam para a necessidade de integrar ações de educação financeira às estratégias de promoção da saúde mental, especialmente em um cenário em que as preocupações econômicas seguem impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar da população.
A pesquisa foi realizada pela ABEFIN em parceria com o Instituto Axxus e representa um dos mais abrangentes levantamentos nacionais sobre a relação entre saúde financeira e saúde mental já realizados no Brasil.
Para acessar a pesquisa na íntegra, com todos os dados e informações, acesse:
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