Procedimentos estéticos deixaram de ser apenas decisões individuais e passaram a ocupar o território das tendências. Um rosto aparece nas redes sociais, um procedimento viraliza e, de repente, surge a sensação de que aquela técnica é o próximo passo para quem quer se sentir melhor diante do espelho. O problema é que tendência passa e a intervenção fica.
Na medicina, a lógica deveria ser outra: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento. Cada paciente precisa ter uma experiência única, focada nas próprias necessidades. Uma queixa aparentemente simples pode ter diferentes causas e, por isso, não existe um procedimento universalmente melhor (mesmo que ele tenha virado tendência entre os famosos, como é o caso do lifting facial).
Há situações em que um preenchimento é indicado, outras em que a cirurgia faz mais sentido, casos que exigem os dois e aqueles em que nenhum procedimento deve ser realizado. O mesmo vale quando falamos em envelhecimento, que envolve alterações ósseas, perda de gordura facial, mudanças musculares, flacidez da pele e transformações estruturais profundas. Tentar resolver um processo complexo com uma única intervenção pode comprometer a harmonia e a identidade facial.
Outro erro frequente é levar para a consulta a foto de uma celebridade como modelo. Copiar características de outra pessoa não significa harmonizar! Cada rosto tem proporções, estrutura e expressão próprias, ou seja, o objetivo de um procedimento não deveria ser transformar alguém em outra pessoa, mas alcançar sua melhor versão.
Existe ainda um equívoco recorrente, de acreditar que naturalidade significa não fazer nada, mas a verdade é que a naturalidade é o equilíbrio. O próprio envelhecimento é complexo demais para ser resolvido simplesmente “esticando” a pele ou “inflando” o rosto. Em alguns casos, é preciso tratar o que falta; em outros, o que sobra; e, muitas vezes, fazer pequenas intervenções pode preservar mais a identidade do que tentar corrigir tudo de uma vez.
Por isso, considero que uma das atitudes mais importantes na estética moderna é saber dizer não. Nem todo desejo do paciente é uma indicação e nem toda insatisfação precisa terminar em um procedimento, muitas vezes, o melhor procedimento é justamente aquele que não fazemos por impulso ou só porque é uma tendência entre influenciadores nas redes sociais.
Afinal, existe um ponto perigoso na busca pela perfeição: quando já estamos muito próximos de um resultado equilibrado, insistir pode nos levar para o exagero e a estética facial harmônica é saber também exatamente quando parar.
Por isso, antes de perguntar “qual procedimento está na moda?”, talvez seja mais importante perguntar: “qual é o meu diagnóstico?” e “e o que é melhor para o meu caso?”. A decisão vem antes da técnica e, em estética, maturidade também é reconhecer que, muitas vezes, o melhor procedimento é aquele que não precisa de muitas modificações faciais.
* Dr. Georgen Hauagge é médico especialista em Cirurgia, pós-graduado em Dermatologia, Medicina Estética e Visagismo, além de autor do livro Seu rosto não é moda.