Saúde mental não é estar bem o tempo todo
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Por: DIÁRIO DA MANHÃ, Publicado em: sexta, 09 de outubro de 2026

Essa temática tem sido especialmente discutida nos campos da medicina e da psicologia. Nas últimas décadas, estudos da Neurociência e da Psicologia Positiva ampliaram nossa compreensão sobre o bem-estar e os fatores que contribuem para o florescimento humano. Ter relacionamentos positivos, uma vida engajada e com sentido, ser capaz de realizar coisas significativas e sentir emoções positivas com frequência contribuem para o bem-estar e ajudam a lidar com os desafios da vida. 

Mas cultivar bem-estar não significa estar sempre bem. A exigência de felicidade permanente, frequentemente associada à chamada “positividade tóxica”, distorce essa compreensão ao desconsiderar a importância e a legitimidade das emoções desagradáveis na experiência humana.  

A presença cada vez maior das redes sociais no cotidiano, com suas imagens de pessoas felizes e vidas perfeitas, tem contribuído ainda mais para esse mal-entendido.

No dia 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, a Organização Mundial da Saúde chama a atenção para a importância de escutar e valorizar as experiências de quem vive questões de saúde mental. É um convite para ampliar nosso olhar, reconhecendo que cada pessoa tem sua história, suas dores e sua maneira de viver e compreender a vida.

Emoções são como mudanças climáticas

A psicóloga e cientista americana Barbara Fredrickson, que estuda as emoções positivas há décadas, explica que emoções são como mudanças climáticas: vêm e vão rapidamente. Do ponto de vista biológico, elas não são feitas para durar. Assim, ao longo de um único dia, podemos passar por várias nuances de emoções: tristeza, alegria, medo, gratidão, raiva, frustração, tranquilidade, amor, entre outras. Algumas emoções são agradáveis de sentir, outras não. Mas isso não quer dizer que não sejam necessárias. Existe uma diferença entre acolher emoções difíceis e ser dominado por elas. 

Cuidar da saúde mental envolve, entre outras dimensões, desenvolver recursos para reconhecer e acolher emoções, aprender a regulá-las e cultivar experiências positivas, sem exigir de nós mesmos um estado permanente de felicidade. Aprender sobre isso é um processo que exige tempo e autoconhecimento. 

Mas não podemos esquecer que a saúde mental também é construída nas relações e nos ambientes em que vivemos. Ter com quem contar, sentir-se acolhido, estabelecer vínculos de confiança e encontrar apoio nos momentos difíceis faz grande diferença.

Assim, a Psicologia Positiva oferece um olhar e estratégias para fortalecer e expandir o que funciona, sem negar a dor. Pelo contrário, ajuda a desenvolver recursos internos para lidar com as adversidades da vida. Querer estar sempre bem acaba se distanciando bastante do real significado do bem-estar.

Num tempo cada vez mais acelerado, com vitrines sedutoras e promessas improváveis, cuidar da saúde mental pode se tornar o grande diferencial. Aprender a discernir entre o autêntico e o performático, acolher emoções e escolher quais cultivar pode parecer pouco, mas é capaz de alterar significativamente a forma de viver. 

Ter saúde mental é não perder o fio de conexão com a vida que pulsa, dentro e fora de nós.

*Deborah Dubner é psicóloga e escritora, autora de sete livros sobre autoconsciência, evolução pessoal e Psicologia, com uma boa dose de poesia. Palestrante TEDx, especialista em Neurociência e Psicologia Positiva, é também graduada em Ciência da Felicidade e professora de pós-graduação em Motivação e Resiliência.  


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